Multiplano inclui todos os alunos independente da modalidade de ensino.

Inclusão social

inclusaoTodas as pessoas têm igualdade de valor – afirmativa assegurada na Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada como resultado da Revolução Francesa (1789) e adaptada em Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948. Entretanto, na prática, nem sempre esse fator é considerado, uma vez que muitos grupos são analisados sob a ótica de suas fragilidades e, por isso mesmo, de certa forma, ficam à margem do processo político e social. Negros, pobres, analfabetos, pessoas com Necessidades Educacionais Especiais etc., assim trava-se uma constante batalha pacífica para que o direito a ter direitos seja uma realidade também fora do “papel”.

No segmento dos princípios enunciados pela Declaração de Salamanca, Correia (1993) refere que o princípio da inclusão “apela para uma escola que tenha em atenção a criança–todo, não só a criança-aluno e que, por conseguinte, respeite três níveis de desenvolvimento essenciais-acadêmico, socioemocional e pessoal, de forma a proporcionar-lhe uma educação apropriada, orientada para a maximização do seu potencial”. Assim, segundo Bérnard da Costa (1996), numa situação de insucesso, mais importante do que saber qual é o déficit do aluno ou o problema da sua relação familiar, é saber o que a escola, a turma ou os professores fazem para promover o sucesso.

Por sua vez, essa luta contagia a sociedade como um todo buscar alternativas que minimizem preconceitos e atitudes discriminatórias e que potencializem a equiparação de oportunidades, em especial quando se trata da participação nos serviços sociais. A educação, assim, é vista como carro-chefe que facilita ou não a entrada das pessoas nas relações sociais, haja vista que os primeiros contatos diretos com indivíduos aparentemente diferentes acontecem na escola. Até então, o meio familiar é uma das únicas fontes de relação interpessoal. É na escola que a criança se depara com parte da realidade do universo ao qual pertence e é no ambiente escolar que pode perceber que a diferença é inerente às relações humanas. Se a escola permite que as diferenças sejam tratadas de forma diferente, todas as relações são facilitadas e há possibilidade de realmente as oportunidades serem iguais.

Brasil e a inclusão social

No Brasil, o desejo de equiparar oportunidades educacionais a pessoas com deficiências gera um paradigma próprio de países subdesenvolvidos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, lei nº 9394/96), gestada em meio a toda uma luta em prol da educação inclusiva, reserva o capítulo V à Educação Especial, em que assegura a alunos deficientes a oferta da educação escolar “(…) preferencialmente na rede regular de ensino (…)” (Art. 58, caput), o que incita um movimento que converge a aumento do número de alunos pertencentes a esse grupo nas escolas regulares.

Assim, a escola inclusiva é entendida por uma parcela da população como aquela que abarca uma maior quantidade de alunos com deficiências na rede regular. Mas como quantidade não significa qualidade, muitas vezes esses alunos só frequentam as classes, sem necessariamente evoluir na aprendizagem. No caso de educandos com deficiências visuais a situação é ainda mais peculiar, sendo que algumas adaptações se fazem necessárias, como o uso do Sistema Braille de escrita, para que possam fazer suas anotações ou mesmo para poder ler os livros/apostilas didáticos. Só que nem sempre os professores estão preparados para atendê-los e muitas vezes não há um esforço no sentido de atenuar essa situação.

Papel do Multiplano na inclusão social

necessidades-especiaisO ensino de matemática, tem um agravante, uma vez que muitos de seus conceitos, para serem abstraídos pelo aluno, precisam fazer um paralelo com a visualização imediata, com o resultado concreto dos cálculos. Porém, os recursos didáticos disponíveis que propiciam ao cego a visualização de um gráfico, por exemplo, são escassos.

Os recursos hoje disponíveis são específicos ao grupo de alunos portadores de necessidades especiais, o que acarreta numa dualidade de métodos e procedimentos; o dos cegos e o dos videntes (Braille, Sorobã…). Sendo assim, tendo em vista a igualdade de valor desse grupo com relação aos demais, procurou-se alternativas que pusessem essa dualidade em segundo plano e que, por consequência, amenizasse discriminações.

O impacto no aprendizado de todos os alunos